Infelizmente para o Benfica parece que a história tem uma tendência para se repetir ciclicamente.
Neste momento, o Benfica atravessa uma crise de valores só comparável ao mandato da presidência de Manuel Damásio.
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Voltando atrás no tempo basta recordar o que era o Benfica dos anos 80 e príncipio dos anos 90 e no que se tornou quando Damásio assumiu a presidência do clube. Enquanto o Benfica assumiu uma postura de combate ao polvo durante os anos 80 e princípios de 90 e recolheu frutos dessa postura - cinco campeonatos nos anos 80 e dois no início dos anos 90 (isto apesar de gastos crescentes no futebol para manter a competitividade) - quando Damásio assumiu a presidência do clube decidiu "aliar-se" ao pior inimigo do Benfica. Assumiu a presidência da Liga com o beneplácito de Pinto da Costa e depois deu o beneplácito para que este assumisse a presidência da Liga.
Ao mesmo tempo, destruiu toda a estrutura ganhadora que existia no Benfica, começando com treinadores e jogadores num momento negro da história do Benfica sobejamente conhecido e esmiuçado.
O resultado estava á vista: um domínio absoluto do futebol português pelos Corruptos e o declínio do Benfica (acentuado durante o mandato de Vale e Azevedo - ás vezes interrogo-me como teriam sido as coisas com Luís Tadeu).
Ora e o que isto tem a ver com Vieira? Já lá irei chegar mas antes disso convém fazer um breve diagnóstico das suas presidências.
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No seu primeiro mandato Luís Filipe Vieira teve claramente bastante sucesso no Benfica. O clube recuperou a nível financeiro e no plano desportivo teve bastante sucesso sendo vice-campeão atrás do Porto de Mourinho mas ganhando a Taça de Portugal ao mesmo, sendo campeão no ano seguinte com Trap (para mim o melhor treinador que passou pelo Benfica desde Eriksson) e a Supertaça Cândido de Oliveira com Ronald Koeman. Este mandato fica também marcado pelo processo Apito Dourado e por um Presidente que fez de tudo para combater o Sistema instalado no futebol português.
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Após um primeiro mandato auspicioso, o segundo mandato de Vieira no Benfica foi completamente desastroso a nível desportivo. Ficou marcado (de novo) pela instabilidade na estrutura do futebol do Benfica e pela saída de José Veiga do cargo de responsável pelo futebol. Isto levou ao desmantelamento da fórmula de sucesso que tinha garantido títulos na Luz.
A nível desportivo assistiu-se a um dos piores mandatos de sempre do clube com dois terceiros lugares e um 4º lugar no Campeonato justificados pela instabilidade vivida na estrutura do futebol - a instabilidade de treinadores no segundo ano de mandato (um dos piores anos de Vieira no Benfica) e o falhanço Quique.
O Apito Dourado também não dá em nada mas ao menos a estabilidade financeira do clube está garantida.
O terceiro mandato ficou marcado pela afirmação de Luís Filipe Vieira de que este iria ser o mandato do sucesso desportivo - como foi eloquentemente lembrado pelas nossas claques ontem.
Um dos momentos mais controversos deste mandato foram as eleições antecipadas para prevenir uma candidatura forte de José Eduardo Moniz á Presidência e a subsequente revisão estatutária que supostamente iria mudar as datas das eleições para a pré-época (algo que ficou misteriosamente esquecido) e aumentar o número de anos de sócio necessários para se candidatar á presidência do clube para 15 anos (misteriosamente decidiu-se pelos 25).
Independentemente disto o mandato começou bem de novo com uma estrutura de futebol forte com Jorge Jesus a responder a Rui Costa e este a responder a Vieira. O Benfica atinge o sucesso no entanto as nuvens de tempestade voltam a avistar-se no horizonte.
E aqui chego ao ponto principal do meu texto: Luís Filipe Vieira perde todo o crédito que tinha quando desautoriza Rui Costa e desmantela uma estrutura ganhadora e principalmente quando volta a repetir o erro de Manuel Damásio ao apoiar a candidatura de um dirigente dos Corruptos para a Presidência da Liga deixando cair uma Direcção da Liga que primava pela isenção e por tentar manter uma imparcialidade dessa estrutura dirigente relativamente aos clubes grandes. Instado a comentar esta decisão Vieira diz aos sócios "confiem em mim".
Ora o resultado deste apoio foi o mesmo que resultou do apoio de Damásio aos corruptos nos anos 90: roubos o mais escandalosos possíveis e arbitragem submissa aos interesses de um só clube: o Porto.
Não contente com isso Vieira volta a cometer o mesmo erro voltando a apoiar Fernando Gomes e orgãos de arbitragem controlados pelos Corruptos para a Presidência da FPF após a revisão dos estatutos da Federação. Um momento falhado pelos clubes de Lisboa para contrabalançarem a hegemonia corrupta no futebol português.
Apesar de a nível financeiro o Benfica ter recuperado sob a égide de Vieira o facto é que a nível desportivo o Benfica não melhorou em nada debaixo das suas presidências. Em nove anos (quase uma década) o Benfica ganhou tanto como nos anos negros de 90. E se contarmos os anos em que foi Director Desportivo o quadro é ainda mais negro.
O grande pecado de Vieira neste terceiro mandato foi ter voltado a transformar o Benfica num clube submisso ao Sistema como era no tempo de Manuel Damásio. Porque o fez? Nunca saberemos ao certo (embora eu ache que saiba porquê... Basta ver a imagem abaixo).
Mas muitas decisões tomadas recentemente que levaram a uma aproximação desta Direcção a quem tenta controlar o futebol português por meios ilegítimos ficam por explicar.
Isto em vez de assumir a única postura que originou resultados desportivos de sucesso para o Benfica no passado distante e mesmo com Vieira ao leme: o contra-poder com uma estrutura de futebol forte e protegida por um Presidente que não se rende a interesses contrários aos do Benfica. Basta olhar para os anos 80 e mesmo para o primeiro mandato de LFV e o primeiro ano deste terceiro mandato.
Para todos os efeitos, Luís Filipe Vieira falhou. É um Presidente que merece respeito pois deixou obra feita no clube: neste momento o Benfica tem estabilidade financeira, estruturas físicas e capacidade para se afirmar no futebol português. Graças a isto os benfiquistas podem voltar a ser ambiciosos e a aspirar por grandes vitórias.
No entanto, não será debaixo de LFV que estas serão obtidas:
Não quando se apoiam dirigentes portistas para cargos de influência no futebol português - os piores momentos da história do Benfica ocorrem sempre que estes apoios são dados.
Nem quando a gestão desportiva do clube é feita na mesma óptica que uma gestão de mercearia - em que o objectivo primário do clube não é ganhar títulos mas sim valorizar jogadores para realizar receitas e pagar os empréstimos aos bancos - e em que não pode haver uma figura forte a gerir o futebol que faça sombra a Vieira.
Não quando não se assume uma postura de defesa cerrada de todos os benfiquistas e interesses benfiquistas face a jogadas de bastidores e violência.
Não quando se abstém de marcar a agenda mediática defendendo o Benfica e os comentadores que defendem o Benfica e expondo os Corruptos pelo que são.
Claro que LFV muito dificilmente irá admitir que falhou. No entanto, se for um verdadeiro benfiquista dará espaço a que outras alternativas surgam para elevar o Benfica numa altura em que os Corruptos só têm menos seis campeonatos conquistados que o Benfica. Este ano chegou o momento de mudança. O Benfica tem uma base sólida montada (mérito de quem lá esteve) mas não se pode dar ao luxo de mais quatro anos com uma Direcção que se tornou conivente com o Sistema e amadora na gestão do futebol sob pena de o Porto cavar um fosso em número de títulos conquistados.
No meu próximo tópico irei escrever sobre a influência de LFV sobre os media (diferente da influência do Benfica) e sob o que para mim será a postura mais adequada a ser tomada por candidaturas alternativas.
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